sábado, 12 de janeiro de 2013

Rodadas de Poemas com Cecília Meireles



De Cecília Meireles
Dois Cânticos e uma Canção

Créditos da arte: Patricia Souza

Cântico II

Não sejas o de hoje.
Não suspires por ontens...
não queiras ser o de amanhã.
Faze-te sem limites no tempo.
Vê a tua vida em todas as origens.
Em todas as existências.
Em todas as mortes.
E sabes que serás assim para sempre.
Não queiras marcar a tua passagem.
Ela prossegue:
É a passagem que se continua.
É a tua eternidade.
És tu

Canção Mínima

No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.

E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,

entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta

Cântico VI

Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acaba todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.

E então serás eterno.

Os cânticos e a canção acima foram extraídos da "Antologia Poética", Editora Record - Rio de Janeiro, 1963, págs.25, 32 e 45.

4 comentários:

  1. Maria Ivoneide Juvino de Melo12 de janeiro de 2013 07:42

    É uma primazia ...é emocionante ! cada verso do poema é uma suave melodia ...grande e eterna poetisa Cecília Meireles e obrigada querida Gerlane por nos oportunizar ao está em contato com a legítima poesia ...genuinamente brasileira ....!

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  2. Essa Cecília sabia das coisas! Obrigado por compartilhar, Gerlane!

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  3. Esse blog é simplismente um encanto, acalenta a alma, ameniza as decepçoes e fortalece a arte. Parabéns Gerlane pela iniciativa, pel beleza do trabalho pertinente e envolvente.
    Abraços!
    Marcleide Miranda

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