segunda-feira, 1 de julho de 2013

Rodadas de Poemas com Manoel de Barros



De Manoel de Barros
A namorada



Havia um muro alto entre nossas casas.
Difícil de mandar recado para ela.
Não havia e-mail.
O pai era uma onça.
A gente amarrava o bilhete numa pedra presa por
um cordão
E pinchava a pedra no quintal da casa dela.
Se a namorada respondesse pela mesma pedra
Era uma glória!
Mas por vezes o bilhete enganchava nos galhos da goiabeira
E então era agonia.
No tempo do onça era assim.

Texto extraído do livro "Tratado geral das grandezas do ínfimo", Editora Record - Rio de Janeiro, 2001, pág. 17.

4 comentários:

  1. Tenho saudade desse tempo que nunca vivi, pois hj nem namora o povo sabe .. Poucos ainda respeita o que é chamado de namoro, pq pra mim é o conhecer para o casamento.

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  2. Novamente, uma bela partilha! Obrigado, Gerlane!

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  3. Inesquecível Manoel de Barros!!
    Belo!!

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  4. Amigos,
    Grata pela visita e comentários!
    Abraços poéticos!!!
    Gerlane Fernandes

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