quinta-feira, 26 de abril de 2012

Rodadas de Poemas com Drummond


 

Igual-desigual

 

Eu desconfiava:
todas as histórias em quadrinho são iguais.
Todos os filmes norte-americanos são iguais.
Todos os filmes de todos os países são iguais.
Todos os best-sellers são iguais.
Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são
iguais.
Todos os partidos políticos
são iguais.
Todas as mulheres que andam na moda
são iguais.
Todas as experiências de sexo
são iguais.
Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais
e todos, todos
os poemas em versos livres são enfadonhamente iguais.


Todas as guerras do mundo são iguais.
Todas as fomes são iguais.
Todos os amores, iguais iguais iguais.
Iguais todos os rompimentos.
A morte é igualíssima.
Todas as criações da natureza são iguais.
Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais.
Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou
coisa.
Não é igual a nada.
Todo ser humano é um estranho
ímpar.


Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 25 de abril de 2012

O Mundo da Poesia


Trecho da última entrevista de Drummond.

O suplemento Idéias, do Jornal do Brasil, de 22 de agosto de 1987 (cinco dias após a morte de Drummond), apresentou em suas páginas centrais trechos da última e exclusiva entrevista do poeta mineiro ao jornalista Geneton Moares Neto.

A POESIA

“Não lamento, na minha carreira intelectual, nada que tenha deixado de fazer. Não fiz muita coisa. Não fiz nada organizado. Não tive um projeto de vida literária. As coisas foram acontecendo ao sabor da inspiração e do acaso. Não houve nenhuma programação. Não tendo tido nenhuma ambição literária, fui mais poeta pelo desejo e pela necessidade de exprimir sensações e emoções que me perturbavam o espírito e me causavam angústia. Fiz da minha poesia um sofá de analista. É esta a minha definição do meu fazer poético. Não tive a pretensão de ganhar prêmios ou de brilhar pela poesia ou de me comparar com meus colegas poetas. Pelo contrário. Sempre admirei muito os poetas que se afinavam comigo. Mas jamais tive a tentação de me incluir entre eles como um dos tais famosos. Não tive nada a me lamentar. Também não tenho nada do que me gabar. De maneira nenhuma. Minha poesia é cheia de imperfeições. Se eu fosse crítico, apontaria muitos defeitos. Não vou apontar. Deixo para os outros. Minha obra é pública.
“Mas eu acho que chega. Não quero inundar o mundo com minha poesia. Seria uma pretensão exagerada”.

“Não serei o poeta de um mundo caduco/ Também não cantarei o mundo futuro/ Estou preso à vida e olho meus companheiros/ Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças” (Mãos dadas – trecho)

Por que?


Vinícius de Moraes sob a ótica das crianças



Poema: A casa
Vinícius de Moraes
Ilustrado por: Cícero Lima
Aluna 4º ano

Poema: A casa
Vinícius de Moraes
Ilustrado por: Luísa Gabriela
Aluna 4º ano

Rodadas de Poemas com Drummond


Confidência do Itabirano

Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e
comunicação.

A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem
horizontes.
E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança itabirana.

De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:
esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil ,
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa...

Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!

Carlos Drummond de Andrade

O Mundo da Poesia


Memorial Carlos Drummond de Andrade

Inaugurado em 31 de outubro de 1998 e localizado em um dos pontos mais altos de Itabira, de onde se tem uma visão privilegiada de toda cidade, o Memorial conta a história do maior poeta do Brasil.
Com o projeto desenvolvido por Oscar Niemeyer, grande amigo do poeta, o Memorial, por si só, já é uma obra de arte que merece ser visitada. Além disso, ele abriga um grande acervo sobre a vida de Drummond, doados pela Fundação Cultural do Banco do Brasil, pela biblioteca da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade, familiares e amigos. Fazem parte do acervo a  primeira máquina de datilografia do poeta-cronista; uma coleção de cartas, recebidas de grandes autores e familiares; prêmios literários e obras de artes feitas em sua homenagem.
A estrutura do Memorial ocupa uma área de dois mil metros quadrados. No local encontra-se sala de projeção, galeria de exposição, sala de pesquisa e estudo, banheiros e cantina.
Telefone para contato: (31) 3835-2156
Horário de funcionamento: De terça a sexta-feira, das 9h às 18h. Sábados, domingos e feriados, das 10h30 às 16h30h.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Vinícius de Moraes sob a ótica das crianças



Poema: As borboletas
Vinícius de Moraes
Ilustrado por: Raissa Costa
Aluna 4º ano

Poema: As borboletas
Vinícius de Moraes
Ilustrado por: Lucas Naian
Aluna 4º ano